O que mudou nas regras americanas
O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) e o USDA APHIS são os dois órgãos que regulamentam a entrada de cães nos EUA. As regras passaram por atualizações importantes em 2023 e 2024, com foco na rastreabilidade dos animais e na comprovação vacinal. Com planejamento antecipado, é totalmente possível levar seu cachorro para os EUA sem imprevistos.
Passo a passo: o que você vai precisar
1. Microchip ISO 11784
Este é o passo zero. Antes de qualquer vacina ou documento, seu cão precisa ter um microchip no padrão ISO 11784 (FDX-B, 15 dígitos). O microchip deve ser implantado antes da vacina antirrábica, pois o número do chip precisa constar no histórico vacinal do animal para que a vacina seja válida internacionalmente.
Se o seu pet já tem microchip, verifique o padrão. Chips AVID de 9 dígitos, comuns no Brasil até alguns anos atrás, não são reconhecidos.
MICROCHIP não é exigido para gatos, mas aconselhável para rastreabilidade.
2. Vacina antirrábica válida
O Brasil está classificado pelo CDC como país de risco alto da raiva canina, sendo exigido a vacina antirrábica para cães e gatos, que devem atender a vários requisitos para entrar nos EUA. Os importadores devem possuir a documentação adequada e uma reserva para seus cães em uma instalação de cuidados com animais registrada no CDC, entre outros requisitos.
3. Sorologia da raiva – somente para cães
Animais com vacina estrangeira tem a opção de apresentar uma sorologia feita em um laboratório autorizado pelo CDC. A coleta de sangue deve ter sido feita com mais de 30 dias da vacina válida e pelo menos 28 dias antes do ingresso nos EUA para evitar quarentena nos Estados Unidos.
4. Reserva em uma Instalação de Cuidados de Animais Registrada no CDC
Cães vacinados no exterior que estiveram em um país de alto risco para raiva canina nos últimos 6 meses devem ter uma reserva em uma instalação de cuidados com animais registrada no CDC antes de entrar nos EUA.
Essa reserva incluirá um exame e a revacinação do cão. Se o cão não tiver um título sorológico válido para raiva, a reserva também deverá incluir uma quarentena de 28 dias.
Todos os cães vacinados no exterior que estiveram em um país de alto risco, como o Brasil devem chegar aos EUA pelo aeroporto onde houver um centro de cuidados veterinários registrado pelo CDC. Este deve ser o local onde o cão tem uma reserva para exame, revacinação e quarentena (se necessário).
Voos domésticos ou outras formas de deslocamento para outros locais nos EUA não são permitidos até que o cão receba os serviços necessários em uma clínica veterinária registrada pelo CDC.
Exceção aos requisitos para cães de serviço
Cães de serviço vacinados no exterior (conforme definido nos regulamentos dos EUA em 14 CFR 382.3) provenientes de países de alto risco podem chegar por via marítima. No entanto, esses cães devem atender a todos os outros requisitos acima E estar viajando com a pessoa com deficiência que o cão foi treinado para auxiliar. Se chegarem por via marítima, esses cães não precisam de reserva em um abrigo para animais registrado no CDC. Cães de apoio emocional não são considerados cães de serviço de acordo com esta definição.
5. Autorização de importação do CDC (Import Permit)
Dentro dos 10 dias da viagem para todos os cães, estrangeiros e americanos.
6. Atestado de Saúde
Cães — É obrigatório que o cão seja examinado por médico veterinário habilitado ao MAPA e tenha seu Atestado de Saúde emitido dentro dos 5 dias antes da data do embarque do animal.
Gatos — É obrigatório que o gato seja examinado por médico veterinário habilitado ao MAPA e tenha seu Atestado de Saúde emitido dentro dos 10 dias antes da data do embarque do animal.
7. Certificado veterinário internacional
O Certificado Veterinário Internacional será assinado eletronicamente, devendo ser impresso e estar em mãos para embarque no trânsito do animal. Ele precisa ser emitido por um médico veterinário habilitado pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).
Cães: A validade do Certificado para embarque de cães é de 5 dias da data de sua emissão e substitui a exigência do CFRVM (Certification of Foreign Rabies Vaccination and Microchip)
Gatos: A validade do Certificado para embarque gatos é de 10 dias da data de sua emissão.
O e-CVI é VÁLIDO PARA RETORNO POR 60 DIAS da data de sua emissão, desde que a vacina antirrábica esteja válida. Após este prazo será necessário a emissão de novo Certificado chancelado pelo médico veterinário do Órgão Sanitário Oficial do país onde animal se encontra cumprindo os requisitos conforme as regras.
Específico para cães com destino: Miami
Em Miami, todos os pets precisam de um despachante aduaneiro americano com autorização pelo USDA para realizar o desembaraço junto à Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (U.S. Customs and Border Protection), independentemente da forma de viagem.
Raças com restrição nas companhias aéreas
Raças braquicefálicas (focinho achatado) como Buldogue Inglês, Pug, Boston Terrier e Boxer têm maior risco de complicações respiratórias em voo. Muitas companhias aéreas proíbem essas raças no porão, e algumas também na cabine.
Muitas companhias aéreas não fazem envio de animais vindo de países de alto risco da raiva, como o Brasil. Verifique a política específica da companhia antes de comprar as passagens — não depois.
Pets na cabine ou no porão?
Cães pequenos (até aproximadamente 8 kg com a bolsa) geralmente podem voar na cabine. Cães maiores viajam no porão, em caixinhas de transporte aprovadas pela IATA. O porão de voos comerciais é pressurizado e climatizado — não é o mesmo compartimento da bagagem comum.
Cada companhia tem seus próprios limites de peso, dimensões de caixinha e número de animais permitidos por voo. Confirme tudo diretamente com a companhia ao comprar a passagem e informe que vai levar o pet.
O processo tem etapas com prazos rígidos e erros podem significar o pet não embarcar. Na PassPet, acompanhamos todo o processo — do agendamento da consulta com veterinário habilitado à revisão final da documentação antes do voo.